sexta-feira, 5 de março de 2010

POEMA DO SOL


Seus olhos tocaram no fundo de minha alma

Cravados gentilmente como arpões secretos

Recém lapidados da mais obscura esmeralda

Puxando-me através do vão do presente

Para encontrar sem paredes o seu mistério flutuante

Então dois universos se colidem

Na tormenta mágica do momento esvaziado de instantes

Libertos das entidades fantasmas e rédeas cênicas do “eu”

Nosso novo corpo entregue numa gota de imensidão derramada no vazio

O coração silencioso transbordando a inteireza sem fim

Sem palavras ou lógicas discursivas ou velhas lembranças premonitórias da mente

Sem passado inesperado ou futuro iminente

Apenas a descoberta do que nunca fôramos sem precisarmos termos sido

Provando a verdade nua e úmida

E lambendo paraísos brotados na pele

Velejamos tranqüilos sobre o vento escaldante do êxtase

O amor e a morte são desejos da dor

Mas nenhum desejo com forma e sentido cabe no amor realmente

O amor está em tudo e nada mais cabe em seu lugar

A paixão não conhece formas e nem sentidos para amar

Não conhece nem nossos corpos e almas quando estão prestes a se entregar

Ela só confia

Até se atira do alto do abismo com os olhos fechados

Porque sabe quem está a morrer lá embaixo

E sabe quem está a voar com asas douradas até o Sol

Para brilhar intensamente desde hoje até sempre

Um comentário:

  1. My Lord, esta poesia é uma das mais belas q já vi...é uma verdadeira obra de arte, de uma beleza profunda,forte, e ao msm tempo suave e penetrante...capaz de nos levar ao encontro de um mundo imaginario..vivendo cada uma das sensações q sua poesia transmite."O amor está em tudo e nada mais cabe em seu lugar" Perfeito!!!

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