sexta-feira, 5 de março de 2010

MORTE

Quem faz a morte
São as lágrimas cinzentas
Dos olhares batidos
Embotados, estáticos
Frios, seguindo a fila
Vagarosa e pálida
No trajeto silencioso
Até a cova do ente morto
(mas não estariam eles, também mortos?)

Somos amados
Por nossa chegada
Tornar a vida amável

E somos lamentados
Por nossa partida
Tornar a vida lamentável

A partida é a última lembrança de nossa chegada
Onde não basta só chegar a cada temporada
É preciso chegar de vez como se tudo fosse a morada
Antes de vibrar a vez da cadência última
Consumindo o fio tênue da indução temporal

Mas a morte é sempre amável com o lamento final
Mas a morte tem um suposto coração
Natural

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