sexta-feira, 5 de março de 2010
LAMENTO DE UM MENDIGO
Sob neons e faróis derretidos na rua submersa Vestígios solitários do vazio ambulante do espaço Onde caminham as mentes náufragas esfarrapadas Cuspindo palavras por algum trocado Exautos de falar línguas seculares e andar descalços de amor Faminto por humanidade Dentro desta selva de canibais vitorianos velados pelo o fantasma gregoriano Até quando? Quanto mais o dinheiro vai mandar no mundo? Esse Deus de papel que só ama quem se joelha por ele Todos que ajoelham para sobreviver Dependem da sobrevivência de outros joelhos Os joelhos não são eternos Mas a dependência parece ser Mas se o homem agisse como senhor de sua própria vida Não haveria pena ou ressentimento Nem submissão ou dependência Nem súditos promíscuos e prosélitos idôneos Pois a caridade não pode principiar de uma ação imposta por uma idéia de benevolência E sim De uma simples ação natural e inflexível Que reconhece todos os potenciais obscurecidos E suprimidos pela imposição do mundo de sempre haverem famintos Para que possa sempre haver valores e poderes suplantados de benevolência Que os torne reconhecidos e justificados Há alguém aqui Debaixo desta pele enferrujada De uma locomotiva humana Há um ser senciente Pensante consciente E minha igreja? Está aqui agora Dentro e fora da mente. Absoluto
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